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19 de janeiro de 2011

O amor machuca, mesmo quando é certo ou errado

   Assim que eu e Rodrigo chegamos em casa, começou a discussão.
        - Você não tem que acreditar em mim. Eu sei que o que fiz não é o que você acha que fiz. Somente eu tenho que me preocupar com isso. – disse ele.
        Eu olhava para um ponto fixo na parede. Um pequeno buraquinho que por alguns segundos me fez esquecer o motivo da briga. Já ouvia a voz de Rodrigo longe quando comecei a me recordar do momento em que aquele pequeno buraco foi formado.  Eram sete horas da manhã do dia cinco de novembro. Eu dormia desajeitada no sofá, esperando só a hora dele entrar em casa. Uma mão segurando a ponta do travesseiro. Essa era uma das muitas manias que ele tanto odiava. Na outra, o guarda-chuva que ele também odiava.
         - Esse trambolho. Não sei por que leva ele para cima e para baixo. Nunca chove mesmo. Isso só faz volume. Qualquer dia vou chegar e tacá-lo janela a fora.
        Toda vez que eu ameaçava pegar ele, era esse blá blá blá sem fim. Mas voltando ao assunto de como aquele buraquinho apareceu ali. Ele chegou em casa as oito da manhã. O sol estava começando a entrar por entre uma fresta da janela da sala, o que já me fazia abrir os olhos e bocejar freneticamente. O barulho da maçaneta da porta me deixou atenta. Era ele que havia chegado provavelmente virado em mais uma de suas “reuniões”. Aham, ele achava que eu era trouxa o suficiente para não desconfiar de uma traição. Assim que entrou, eu atirei o guarda-chuva, que por pouco não o acertou. Mas você veio com essa cara de cafajeste, e com esse corpo – e que corpo – e eu me esqueci de tudo.
        Ah, mas isso não iria acontecer desta vez. Encontrei Rodrigo na beira da piscina, na casa de praia de uns amigos da época do colégio, aos beijos com uma loira de farmácia – desculpem-me as loiras que lêem este texto, não são vocês, e sim ela-, cujo nome era Priscila. Não sei por que nunca tive simpatia com esse nome, enfim. E ele ainda vem o caminho inteiro dizendo que estava equivocada, que o que ele estava fazendo não era o que eu havia visto. Desculpem-me o trocadilho, mas até um cego veria que ele estava sugando a moça.
        Voltando a cena da briga, relembrar estes fatos só me deu mais coragem de jogar em sua cara algumas verdades.
         - Você não merece um ponto de vista, se a única coisa que você vê é você. – Há muito tempo queria dizer que ele só olha para si mesmo. Mas na hora de apontar defeitos e atos, ele nunca se olha no espelho.
         Ele me olha com aquela cara de cachorro abandonado. No fundo – bem no fundo – me deu até dó. Mas logo foi esquecida, e no lugar entrou o ódio. E não posso parar porque eu estou me divertindo muito.
        - E quer saber de uma coisa? Toda minha vida eu fui boa. Mas agora estou pensando em viver um novo estilo de vida, e que se dane. Eu não me importo se você me ama, se você me odeia. Eu prefiro ficar com raiva a sentar e esperar o dia todo por você. Não me entenda mal, eu só preciso de um tempo para brincar e ser feliz.

Texto escrito especialmente para o Projeto Créativité, nas Edições C&F e Musical. Indico ler o texto ouvindo a música: 
 

16 comentários:

  1. A foto desfocou minha atenção do texto, risos eternos adorei

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  2. Pessoinha decidida.....

    Qm achou q ia dar a volta nela...
    kebrou a kara

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  3. Oláaaaa!
    Quanto tempooooo! :D
    Olha desculpa a correria mas to passando aqui só pra avisar que eu voltei com os blogs. Tanto o "no papel da bala" quanto o "hard candy".
    Então nos falamos logo logo! :D
    bjsss!
    obrigadao.

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  4. HAHA adorei o texto, lembrei de certas situações que passei.
    Muito bom, foi você mesmo que escreveu?
    Parabéns!
    seguindo, segue tambem?
    http://sentimentosgratuitos.blogspot.com/

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  5. um dos melhores!!! amei... ahhahaha

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  6. Anônimo20/1/11

    Eu ri demais com a foto, olha a best cada vez escrevendo melhor, adorei *-*'

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  7. to seguindo, é que a foto tá diferente!

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  8. Interessante a história do buraquinho rs. Tem horas que a gente percebe que é melhor deixar certas coisa pra trás mesmo e se preocupar mas conosco. A foto é super engraçada riri :B
    Bgs:*

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  9. Achei bem clichê, a foto me fez rir.

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  10. rsrsr Gostei Pam. muito bom..
    gostei da foto.. parabens! kisu

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  11. Bacana.
    Então, sobre o livro do Chico, eu gostei bastante. De livros dele só li o Leite Derramado e Budapeste e acho os dois bem diferentes entre si, de forma que não dá muito pra comparar, mas não achei o Leite Derramado água com açúcar não, aliás, é um livro bem amargo.
    Beijo!

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  12. Adoorei o texto, muuito bom mesmo (:
    Você fez inspirado no single What the hell da Avril né? Porque tipo, a fala da menina no fim do texto é igualzinha a música, a maioria das partes e o título também. Amo a Avril *-*
    Parabéns pelo blog, ta lindo, to te seguindo, beijos.

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  13. Ah, eu adorei o texto! Você também inventou este?!! Porque ficou perfeito, parece que tudo foi muito real!
    Parabéns!
    beijos

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  14. Seu blog é Lindoooo ...

    Parabéns !


    Bjo.

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  15. gostei muito do texto, mas a foto kkkkkk' ri alto dela. enfim, seu blog é lindo *--*

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  16. Muito bom,parabéns pelo blog.
    http://garotasnasruas.blogspot.com/ da uma passada lá?

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