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20 de novembro de 2011

Dracaena




Dracaena.
“A cidade que havia abrigado meus pais alguns anos antes não poderia ter sido destruída de uma hora para outra. Tem que haver alguma explicação para tal acontecimento. Mas, qual seria?”
As casas estavam abandonadas. Não havia nenhum sinal de vida por todos os lados que Mabilli olhava. Nenhum animal voando pelo céu cinzento. Nenhum ser rastejante, pelo concreto revirado e pelo asfalto frio como o gelo. Tudo parecia um deserto as avessas.
Os carros permaneciam no lugar em que seus donos os haviam deixado.
Nem sempre Dracaena havia sido assim, morta. Há um tempo remoto, a cidade abrigava os mais belos habitantes da Europa. Havia flores por todo lado. Coloridas. O amor estava a cada quilometro quadrado.
“O mais incrível é? Para onde todos teriam fugido? Não há sinal de corpos, vivos ou mortos.”
Pois não deixava de ser verdade essa sua observação. O que ela descobriria dentro de instantes era que a maioria dos seres humanos havia sido extintos. E ela nunca acharia seus corpos, porque eles estariam vagando pela cidade. Você pode também chamá-los de zumbis. A palavra zumbi deriva provavelmente do africano “nzambi”, que significam “dividade” ou “espírito ancestral”.
Mas voltemos ao assunto. O restante dos humanos dali teria conseguido fugir e se esconderam em lugares antes nunca habitáveis. Mas ninguém de outras regiões sabia ao certo onde ficava esse lugar. Eram apenas hipóteses também, pois nunca alguém havia comprovado de que essas informações eram, de fato, reais.
Mabilli havia saído de férias fazia cerca de quatro meses, e só retornava a sua cidade natal em meados de novembro. Fazia frio e muitos meios de comunicação haviam sido cortados pelo mau tempo. Infelizmente ela não teve como saber o que havia ocorrido ali.
Ao longe, o som de uma marcha corria ate os ouvidos dela. Uma marcha lenta, que era acompanhada de gemidos e gritos de horror. Era chegada do ato final. No meio de um bando de pessoas mortas-vivas, um sobrevivente era trazido em cima de o que parecia ser uma mesa.
Seus olhos tentavam reconhecer aquele homem.
“Alexander? Não poderia ser ele. Será?”
Muitos anos mais tarde ela diria em uma entrevista a um jornal: “O destino dele dependia de mim naquele momento.”  Não digo que ela estivesse errada, mas se não fossem os outros, ela nunca teria tido chance de salvá-lo.
O cortejo prosseguia e nenhum dos zumbis havia notado sua presença. Até que ... 




Boa noite pessoas lindas do meu blog. Venho com o primeiro capítulo de Dracaena. Não sei se haverá continuação, pois isso dependerá muito de minha criatividade, tempo e imaginação fértil. Mas vamos lá, não é mesmo? Ah, já ia me esquecendo. O trecho "O destino dele dependia de mim naquele momento" é a pauta da 93ª edição Conto/história, que faz parte do Projeto Bloínquês. Até a próxima queridos. E uma maravilhosa semana.

15 de setembro de 2011

You stole my heart, and you're the one to blame .


- Promete nunca me esquecer? - disse eu, afoito e emocionado pela repentina despedida.
- Prometo. - disse-me ela, com lágrimas nos olhos e a voz comovente.





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              Minha vida seguiu normalmente como a de qualquer rapaz de quinze anos que acaba de perder o "grande amor" de sua vida.
Muitas outras garotas entraram na minha vida: Nicole's, Jaqueline's, Camila's, Daniele's.  Mas nenhuma comparada à minha Heloísa. 
Ela, na época, também tinha quinze anos. Estava no auge de sua beleza - tanto exterior quanto interior - e todos a queriam para si. Pouquíssimos tiveram o prazer de tê-la por perto, nem que fosse como amiga. Posso dizer-lhes, caros leitores, que fui privilegiado. Além de sermos amigos, acabamos tendo um romance. Curto. Curtíssimo, melhor dizendo. Mas certamente, a época mais encantadora, divina, formosa, primorosa, sublime, perfeita, de minha vida.
Tenho hoje vinte e cinco anos. E até hoje me pego imaginando como estaria minha flor de formosura, meu pão de mel, minha vida. 
Contarei agora o segundo capítulo mais importante de minha vida.


27 de março de 2011

Esta noite, eu me lembrei de você.


Caro, caríssimo.


 

      Tenho a leve impressão de que nós já nos vimos em algum lugar. Num passado não tão distante. Mas sabe como é a vida de uma pessoa que tem Alzheimer. Em um momento, lembramo-nos de tudo o que já passou. Por vezes, memórias das quais nunca mais nos lembraríamos: o primeiro passo, a primeira palavra, o primeiro tombo, o primeiro beijo, a primeira pessoa que foi capaz e lhe deu amor o suficiente para fazer de você seu homem ou sua mulher. Lembranças de um passado que há muito já passou.

      Talvez nem ao menos tenha lhe conhecido de fato. Mas hoje, eu lembrei de você. Recordo-me o quanto eras "rebelde". Tinha os cabelos bagunçados, desajeitados. Por onde passavas as pessoas ao redor te olhavam com ar de desprezo. De certo, você tinha um motivo para isso. Fugere urbem. A sociedade burguesa, capitalista e consumista não lhe atraia como fazia com os outros. Talvez tudo isso tenha ocorrido à algumas décadas atrás desta em que vivemos. Provavelmente lerás esta carta com certo atraso, então configuro aqui a data de 27 de março de 1990. Voltando as lembranças. Você fumava. Pelo menos um maço de cigarros por dia. Não me perguntes como pude ser precisa assim. Já disse. Às vezes, as memórias vêm. Às vezes não.

    Eu também fumava, não é mesmo? As fumaças dançavam pelo ar. Coloridas. Só nós dois víamos assim. E por vezes nos tacharam de loucos, drogados. Não. Nós não éramos isso. Eu me lembraria de algo tão marcante e decisivo de minha vida. Não lembraria? Pois bem. Não estávamos nem aí com o que os outros diziam, disseram ou iriam dizer sobre nós.

    Não até o dia em que, mais que de supetão, fui avisada de que estarias na praia de Copacabana, aos beijos com uma mulher. Ela não era eu. E aquilo tudo não deveria estar acontecendo. Tentaste me explicar o que havia acontecido. Mas nada poderia mudar aquela situação. E assim se passou os segundos, minutos, horas, dias, meses e anos. Neste meio tempo fui diagnosticada com essa maldita – mas boa – doença. Conforme os anos se passavam, algo de minha memória ia embora. Como a água do chuveiro, que ao escorrer por nossos corpos se vai pelo ralo. Era assim que me senti dia após dia. Faltava algo em mim. Começou com pequenas palavras ditas, pequenos gestos. E antes que isso se prolongue - como irá se prolongar - resolvi lhe escrever, enquanto alguma coisa em mim ainda me faz lembrar de você.

    Espero que estejas bem, onde estiver. E se receberes esta carta antes de meu falecimento inevitável, venha me visitar. Poderá ser que tenha lhe esquecido totalmente na mente. Mas algo em meu subconsciente e em meu coração dirá:

    - Nós já nos vimos em algum lugar antes?

    Com afeto, carinho e compaixão.

                                    Lisa Mckgonagal





 

Escrito por:
Pamela Moreno Santiago
Pauta para a 36ª Edição Cartas, cujo tema era: "Lembrei de você". Ficou um terror, mas espero que gostem. Obrigada pelo carinho de todos e pelos selinhos. Os posto em breve. A foto não tem nada a ver com o texto, mas eu amo House *-*

18 de março de 2011

Hoje perco você em mim, mesmo assim vou vivendo

"Até parece que você já tinha
O meu manual de instruções
Porque você decifra os meus sonhos
Porque você sabe o que eu gosto
E porque quando você me abraça
O mundo gira devagar
E o tempo é só meu
E ninguém registra a cena
De repente vira um filme
Todo em câmera lenta
E eu acho que eu gosto mesmo de você
Bem do jeito que você é"




Toda vez era a mesma história. Todo dia, uma nova carta, um novo pacote chegava a casa. Sempre às 15 horas. Não havia selo. Nem endereço, nem nada. Mas ela sabia que vinham dele. Não podia mais ter dúvidas de que realmente eram dele. Não depois deste último pacote. Esta letra, esta música. Cada detalhe, cada palavra a remetia a um passado não tão distante.

Neste havia uma carta e uma caixa de chocolates. Como ele sempre fazia quando brigavam. Foram poucas vezes que isso aconteceu. Talvez seja por isso que ela não pode deixar de remeter esta atitude a ele. Mas o que será que queria com isso? Seria uma tentativa de reatar? Sinceramente, ela não fazia idéia. Somente uma pessoa poderia lhe responder. E essa pessoa não estava ali naquele instante. Pensou em ligar. A carne foi fraca por alguns minutos. Mas não poderia dar o braço a torcer. Não depois de tudo o que havia acontecido.
Ouviu dizer que ele estava muito bem. Ao lado de outra mulher que provavelmente o fizesse mais feliz. E ela também estava bem. Ao lado de um rapaz que realmente a amava e que tentava de todas as maneiras fazê-la feliz. Do seu jeito desengonçado, pouco a pouco, mas ele conseguia.
Ouviu o barulho da campainha. Era seu atual amado que chegava depois de um dia de trabalho. Olhou para o relógio. Oito horas da noite. Havia perdido cinco horas preciosas do seu dia entretida em pensamentos que já se passaram a muito tempo. Escondeu rapidamente o pacote, e foi atender a porta.
Desceu rapidamente as escadas que davam direto para a porta da frente. Mal a abriu e seu amado a abraçou. Talvez alguma ponta de esperanças de reconciliação com seu ex tivesse sido sobressaltada no período em que ficou com aquela carta nas mãos. Mas elas cessaram assim que abriu a porta e viu aqueles lindos olhos brilhando para ele. Aquele sorriso perfeito que se abria só ao lhe ver.
Pois é. Não poderia deixar uma oportunidade de ser feliz, de amar, ir embora. Enquanto ele tomava seu banho, juntou todas as cartas, todos os pacotes, os chocolates, ensacou e jogou no lixo. Na caixa de correio, um bilhete de resposta:

"E eu não me importo se você me ama, se você me odeia.
Você não pode me salvar." 


E voltou para dentro. Seu amado já a esperava para o jantar. E lá se foram as lembranças deste passado que agora, já estava morto e enterrado.


Pauta para o Projeto Bloínquês, na 58ª Edição Conto/História. Músicas envolvidas na criação do texto: Equalize - Pitty, e What The Hell? - Avril Lavigne. Observação: muita gente vai achar esquisito "a casa", mas segundo Evanildo Bechara é assim que deve ser usado. Pra quem não conhece esse cara aí, ele é um maravilhoso gramático, o qual usei bastante na faculdade ano passado. 

7 de março de 2011

Mil años con otros mil más son suficientes para amar

- Você nunca sabe como estou me sentindo. E sabe porque? Porque você nunca para, nem ao menos um segundo, para ouvir o que quero dizer.
O homem fingia-se distraído, mas ouvia o que ela dizia. Ao menos dessa vez ele a ouvia. Depois de tantos anos juntos, não poderia ser este o motivo pelo qual eles estavam se separando. Claro que, uma vez ou outra, ele deu mais atenção à televisão, ao jogo de futebol, ao filme pornô. Mas só por causa disso ela estava outra vez discutindo com ele?
- A princípio de conversa, porque você está discutindo comigo? Eu sempre ouvi o que você dizia!
- Ah, ouvia é? Então o que eu disse a noite passada, depois que nós saimos do restaurante?
E pois é. Ele não sabia o que responder. Fez aquela cara que todo homem faz quando está pensando. Mas ele não sabia o que ela havia dito. E sabe porque? Porque ele simplesmente estava olhando pra bunda de uma loira que passava.
- Sabia. Depois eu que estou enganada, não é? 
E ela começava então a cantarolar a música predileta dela."Quando você estava aqui antes,eu não podia nem te olhar nos olhos.Você é como um anjo, sua pele me faz chorar.Você flutua como uma pena em um mundo bonito. Eu só queria ter sido especial.Você é tão especial.Mas eu sou um verme,sou um esquisitão.Que diabos estou fazendo aqui? Eu não pertenço a este lugar."
E ele, não sei por que cargas d'água, continuou. "Qualquer que te faça feliz. O que você quiser. Você é tão especial. Eu só queria ter sido especial. Mas eu sou um verme, sou um esquisitão.Que diabos estou fazendo aqui? Eu não pertenço a este lugar. Eu não me pertenço."
Eles se amavam. Isso dava para perceber no olhar de um ao outro. Por mais que ele tivesse um milhão de defeitos, ela o amava. Por mais que ela resolvesse brigar por qualquer coisa, ele a amava. A abraçou.
- Com certeza você é meu ponto de paz. Te amo como nunca amei ninguém. Me desculpa?
- Mas é claro meu amor. Eu estou irrevogavelmente e perdidamente apaixonada por você.
E assim, o coração dos dois se tornou mais uma vez só um.
- Vamos para a cama, meu amor?
 Pauta para a 57ª Edição Conto/História do Projeto Bloínquês, cujo tema central é "O homem fingia-se distraído, mas ouvia o que ela dizia. Bar - Ivan Ângelo".



3 de março de 2011

Where do you draw the line?

 Apanhou um pedaço de papel e escreveu rapidamente o nome e o telefone daquele homem com quem estava conversando. Mal se conheciam e algo nele havia despertado repentinamente o interesse de Isabela. Talvez fossem as tatuagens pelo corpo - algo que sempre a atraia -, talvez pelos piercings e pelo alargador, talvez fosse pelo fato dele fumar. E foi a partir de um cigarro que a conversa começou.
 Sabe aquele dia em que nada dá certo e você tem vontade de pular da próxima ponte que encontrar? Pois é. Era assim que Isabela se sentia. Andava por uma rua, pensando em tudo o que havia acontecido durante a manhã, quando encontra um rapaz, muito bonito por sinal, sentado em cima de seu skate e tentando acender um cigarro. Ela se lembrou de que havia prometido para seus pais que pararia de fumar. E daria certo, se naquele momento ela não estivesse a ponto de explodir. Não pensou duas vezes. Parou ao lado do rapaz.
 - Você tem um cigarro sobrando? Tive um dia daqueles e preciso de um para aliviar a pressão.
 Ele não falou nada. Somente colocou as mãos no bolso, puxou o maço e lhe entregou um. Passou o isqueiro. Ela acendeu o cigarro com pressa. 
 Como ele não havia trocado uma palavra sequer com ela, pegou o cigarro e saiu dando suas tragadas lentas, puxando o máximo da fumaça para si. Até que ele resolve dizer algumas palavras.
 - Me encontre depois das linhas do trem. Às seis horas da tarde.
 Não havia entendido direito. Por isso voltou e pediu seu nome e telefone. Ele lhe passou rapidamente, quase atropelando as palavras. Avisou-lhe que ligaria antes para dar-lhe a resposta. Ele somente levantou e saiu andando, a deixando no vácuo novamente.
 Foi para casa. O resto da tarde ocorreu normalmente. O mesmo tédio de sempre. Até que olha no relógio antigo na sala e vê que já são cinco horas . Resolve ligar. Ele atende e diz um alô seco. O medo por dentro a dizia para não ir. Mas a vontade de saber o que ele queria era maior. Disse que iria e desligou, sem ao menos esperar ele responder. 
 Se arrumou. Começava a fazer frio. Partiu até as linhas do trem, e lá estava ele lhe esperando.
 - Eu nunca pensei que estaria nessa distância. Se divirta um pouco e nunca mude, não por ninguém. Eu vendi minha alma para a estrada aberta. - disse quase gritando. 
 Dei um pulo para trás quando vi que um trem se aproximava. Mas ele não fez o mesmo. 

Desculpem-me pela falta de criatividade que me assola, e pelos finais trágicos que ando criando. Só isso ronda minha cabeça ultimamente. E não. Eu não fumo, mesmo colocando sempre em minhas histórias e contos alguém que o faça. Obrigada pelo carinho de vocês *--*. 

26 de fevereiro de 2011

Hey darling, I hope you're good tonight (parte IX- FINAL)

     Haha. Dessa vez não aconteceu nada, leitor. Fiz isso só para atiçar você. Não me julgue de ruim, malvado, ou qualquer outro sinônimo. Preciso dar este pequeno incentivo para que continues lendo-me.
     Ficamos nos beijando. O calor aumentando. As roupas ficando apertadas. Enquanto fazíamos amor, um som vindo de longe dizia "Eu te dei tudo o que eu tinha". E é verdade. Eu havia dado o melhor de mim para Mariana. Meu mais puro amor. Meu mais sincero carinho. Meu mais humilde sorriso. Tudo era para ela. E por ela também.
     Seguimos assim nossas vidas. 
     Até hoje. Dia em que ela foi embora. Tive uma recaída na noite de ontem. Conheci uma loira que mexeu com meus sentidos. Sei que fui burro, galinha, insensível. Não podia ao menos imaginar que ela iria até lá, para tentar reatar nosso namoro depois de uma briguinha boba. A bebida subiu rápido para a cabeça. E aqui estou. Escrevendo este conto, baseado em uma parte da minha vida da qual eu nunca esquecerei. 
     Há uma única saída para tudo isso. Para nunca mais fazê-la sofrer. E espero que você, caro amigo leitor, não me julgue, nem ao menos me chame de idiota. Realmente, é a única opção que tenho agora.
     Em minhas mãos, um copo de vinho. O último que tomarei. 
     Adeus , minha Mariana.


Desculpem a falta de criatividade para o fim. Mas sinceramente, tava foda - desculpem o palavrão - de terminar rs. Espero que continuem vindo aqui nos meus próximos textos. E obrigada pelo carinho. Beijos.

23 de janeiro de 2011

I'm falling for you


- Eu não consigo viver sem o teu amor.
Foram essas poucas palavras que consegui sussurrar em seus ouvidos, enquanto ele tocava uma música apaixonante em seu violão. Aquela voz macia que me acorda todos os dias cantou em sussurros:
- Don't be afraid if I go crazy for you. Don't be surprised if I fall at your feet. I don't care about what they think of me. I don't know what to do. 'Cause I'm falling for you (for you).
Como ele podia ser tão irresistível assim? Ver de perto aqueles olhos negros, aquele cabelo bagunçado, que por tantas vezes fui eu quem os causou, sentir o toque de suas mãos nas minhas. Não poderia haver momento mais perfeito que aquele.
Era a primeira vez que viajávamos sozinhos. Lembro-me como se fosse ontem do momento em que chegamos naquela pequena cabana no campo. Parecíamos um casal de recém casados indo passar seus dias de núpcias longe de todo o mundo. Você me carregou no colo pela porta. Confesso que por mais lindo que aquilo estivesse, eu ri por dentro, imaginando o que meus pais fariam se tivessem visto esta cena.
- Enfim sós. – você disse com aquele sorriso torto. E que sorriso. Você não faz idéia de como eu amo ver esta sua boca tão perfeita se desdobrar e me fazer sorrir junto.
Passamos boa parte dos dias lembrando como muitos de meus parentes e amigos o julgaram no começo de nosso relacionamento.
- E sabe, eu não me importo sobre o que pensam de mim.  Me importo com o que pensam sobre nós. Isso sim. Preocupa-me a falta de confiança em nosso amor. Será que são todos tão cegos que não podem ver que é verdadeiro. Que é algo que eu nunca senti na vida? Dá para se perceber no olhar um do outro. Lembra de quando nos conhecemos? Todos os meus amigos diziam que isso iria terminar em casamento. E olha onde estamos. Na nossa lua de mel adiantada.
Confesso que ri sobre esta última parte. E você também.
Dez dias foram suficientes para nosso amor se solidificar mais.
- Eu vou manter você no meu coração. Eu não posso viver sem você e não vou te deixar partir. – novamente não tive palavras para demonstrar o quanto você já faz parte de mim.

Texto escrito especialmente para o Projeto Bloínquês, concorrendo à 53ª Edição Musical.

16 de janeiro de 2011

O segredo de Elizabeth

Noite do dia quatro de janeiro de 1943. Era inverno. O frio tomava a cidade de Vladivostok, na Rússia, um lindo cenário para os românticos. Muitos casais das classes de prestígio de localidades próximas iam para a praça central. No coreto, na Rua de Kendall, alguns jovens aspirantes à artistas tocavam seus violinos e violoncelos. Músicas calmas, clássicas, o que tornava aquilo cada vez mais perfeito.
Não muito longe dali, na Rua Homestead, 3 homens e uma moça discutiam, exaltados.
- Vocês nunca encontrarão a arca com as almas da 1ª guerra que foram capturadas. – dizia a moça, com certo ar de desespero em sua voz. Talvez com medo do que viria adiante. – Eu disse que nunca irão encontrar.
E nunca a encontrariam, pois estava enterrada bem fundo. Em um lugar que eles nem imaginariam.
Elizabeth vinha da alta sociedade, da família Lauderdale. Seu pai, Fourmi esteve presente no dia em que as almas andarilhas dos mortos nos combates da 1ª Grande Guerra Mundial foram finalmente aprisionadas, para que toda a onda de mal passasse. Esse era um dos segredos de família, daqueles que só poderiam ter sido revelados minutos antes da morte de Fourmi.
- Minha linda filha Elizabeth, preciso lhe contar algo e o faço agora pois tenho medo que morra e leve este segredo comigo. – dizia Fourmi em seu leito de morte.
E foi assim que toda a história foi passada para Elizabeth. Ela prometeu, como um último pedido de seu pai, que não importava o que acontecesse, ela defenderia a arca das almas com unhas e dentes. E se preciso, com sua própria vida.
Já era manhã do dia 5 de janeiro, e os primeiros raios do outono entravam aos poucos na cidade, deserta por ser muito cedo ainda. Elizabeth completaria seus preciosos 20 anos neste dia da nova estação que nascia juntamente com ela outra vez.
Infelizmente não era isso o que se via na Rua Homestead. Elizabeth estava caída. Desmaiada? Não. Morta. Ela havia cumprido a promessa do pai. Defendeu a arca com sua própria vida.
Os três homens que estavam com ela? Procuraram em vão o que desejavam. E nunca a encontrariam, pois estava enterrada bem fundo. No coração dos que já haviam morrido, protegendo-a.


Texto escrito especialmente para a 50ª Edição Conto/ História do Projeto Bloínquês. 

6 de janeiro de 2011

As almas têm o enlace. ¹

"Eu estou caindo, será que você não vê meu amor? Não me deixe aqui sozinho. A terra é fria e estou cada vez mais longe do aroma das coroas de flores, e do seu, do seu aroma de rosas que me deixa cada vez mais inebriado. Tenho a impressão de estar indo para o inferno. Por favor, me salve. Me dê a vida."

  Acordou com o ruído de uma porta que se fechava pesadamente lá embaixo, no térreo. Foi a primeira vez em que ela sentiu a presença de Rodrigo desde o fatídico dia que tirou a vida dele. Um acidente de carro. Madrugada. Morte instantânea, sem dor, sem sofrimento. Essa era a única coisa que consolava a dor de Rebecca. Mesmo a alguns quilômetros de distância, ela pode pressentir que algo havia acontecido. Seu coração gritava de um jeito qaue ela nunca tinha presenciado. Só um amor verdadeiro é capaz dessa proeza. E com certeza, o deles era. Nunca foi visto algo assim. Raro. No enterro não chovia como na maior parte dos filmes. Ao contrário, o dia estava irradiante e o sol a pino. Jogou em cima da lápide as flores que ele havia lhe dado dois dias antes. As suas favoritas. Eram as rosas mais vermelhas que ela viu em sua vida até então.
  Demorou até ela se recompor de suas recordações. A porta acabara de se fechar quando ela vestiu seu roupão, calçou seus chinelos e desceu, lentamente, com passos espaçados, vagarosos, a escada em forma de caracol. Não havia sinal de ninguém no hall de entrada. Não havia sinal de ninguém na casa toda. Caminhou até a porta que a pouco a fizera acordar de mais um pesadelo e pôde constatar que a mesma estava trancada. Abriu-a. No tapete de boas vindas, um buque de rosas vermelhas. As mais vermelhas que ela viu em sua vida até então.







3 de janeiro de 2011

Meu amado Amigo Imaginário.

São Paulo, três de janeiro de dois mil e onze.

  Bom dia Fred,

   Faz um tempo que você não aparece por aqui. Sinto tanta falta de quando me vias dormir, sentado na beirada da cama, velando meu sono e afastando de mim os sonhos ruins e os seres extraordinários que só aparecem no calar da noite.
   Pois é, acho que cresci demais e você teve que partir em busca de outras crianças que precisavam de ajuda tanto quanto um dia eu precisei.7 anos. Nunca havia pensado que o momento de me tornar uma moça seria tão decisivo para nós. Foi a última vez que seus olhos pousaram sobre os meus. Fez-se silêncio, e você partiu sem nem ao menos dizer-me adeus.
  Achei o endereço da Convenção de Amigos Imaginários entre papéis de carta, adesivos, fotos e lembranças daquela época. Não sei se você ainda o freqüenta, mas não custa nadar tentar, não é mesmo?
   Desculpe pelas vezes que não pude estar perto de você. Pode ter certeza que o queria, mas não foi possível. Espero de todo coração que estejas bem, divertindo seu novo protegido, assim como fizeste comigo.
    Aaah, e se puder, faça uma visita de vez em quando. Tenho dezenove anos, mas a mesma alma daquela época.

                Com saudades, 
sua menininha.


                         
Texto escrito especialmente para a 25ª EDIÇÃO CARTAS - AMIGO IMAGINÁRIO , do Projeto Bloínquês.




1 de janeiro de 2011

Essa distância que nos separa.

 

       Mal começara a contagem regressiva e meu coração já se encontrava em prantos. Recordar cada detalhe, cada conversa, cada sorriso e os tantos choros que tive ao longo do ano só me fizeram ficar cada vez mais mal. Lembrar de cada beijo, cada abraço, cada eu te amo me fez perceber o quanto fui tola em me importar com quem queria, no fundo, só se divertir às custas de alguém. Mas foi aí que você - é, você mesmo - apareceu. Pode ter sido num momento de fraqueza, de carência, mas mal sabia o quão importante seria este momento. Lembro-me como se fosse ontem do dia cinco de dezembro de 2010:

- Obrigada por aceitar *-*. rs.
- (=
- Tem msn?
- ....

      E assim começou algo muito importante para mim. Embora você sempre tenha deixado claro que tudo não passaria de uma curtição, não pude deixar de me apaixonar por esses olhos castanhos, por essa boca que se encaixa tão perfeita na minha, e que por muitas vezes me deixou sem fôlego apenas por olhá-la com mais afinco.
       Foi na contagem regressiva que eu lembrei de você. Essa distância que nos separa. Imaginei se estaria bem junto de seus amigos na Avenida Paulista, afinal 2 milhões de pessoas é tão pouquinho para se preocupar não é? Me preocupei mais do que deveria. E o faço todos os dias, desde a hora que abro os olhos, até a hora em que os fecho. Mas você é tão irresistível.
         E, afinal, como você mesmo me disse um dia:

- Nos conhecemos por acaso e adorei isso (:

         Esse é só o começo. Torço para que nunca tenha fim.

FELIZ 2011 MEU AMOR.